Pular para o conteúdo principal

Suspeita (1941) Crítica



Quem conhece Hitchcock por causa de Psicose (1960) pode se decepcionar bastante com esse filme. Ele tem muito mais de romance do que de suspense.

A história é baseada no Livro de Francis Iles chamado “Before the Fact”. Lina (Joan Fontaine) é uma garota do tipo certinha que tem uma vida confortável, até luxuosa. Logo na primeira cena ela conhece Johnny (Cary Grant) que mais tarde vai acabar roubando seu coração. Mas com o tempo ela vai conhecendo de verdade com quem ela se casou e muitas dúvidas vão surgindo.

Hitchcock sempre valorizou muito um bom roteiro, mas nesse filme fica muito a desejar. Com certeza se deve ao fato de que as filmagens começaram com um roteiro ainda inacabado. Claro que isso também afeta o desempenho dos atores, não é nada fácil entrar no papel sem conhecer realmente a intenção de determinado personagem. 
O final original (o que eu prefiro) que é o final no livro seria diferente: na cena final o leite realmente mataria Lina, ou seja, o lindinho do Cary Grant seria um assassino, mas antes Lina escreveria uma carta contando tudo para sua mãe e pediria para seu marido colocar no correio. Mas na época as coisas iam por outro rumo. Os produtores não aceitaram que Cary Grant fosse um mal caráter!

O filme tem muitas sacadas interessantes. A música comunica sensações, no começo sempre é aquela música doce, suave e alegre, mas com passar do tempo ao descobrir coisas sobre Johnny a música começa a ser mais melancólica e insinuadora. 
A aparência dos personagens também muda com o decorrer do filme, Johnny vai aparecendo com menos luz, dando um ar de sombrio. Já Lina, com o passar do tempo vai ficando cada vez mais bonita e cada vez menos com seus óculos. E isso pode gerar a ideia errada, afinal ela vai ficando cada vez mais neurótica, a aparência dela deveria mostrar isso. Mas pode-se entender que queriam mostrar como sua paixão obsessiva e vulnerabilidade vai tomando conta da personagem. 
O cenário também, que no começo é bem iluminado, vai ganhando pouca luz e mais sombras. Alias, Hitch brincou bastante com a luz, chegando até a colocar uma lâmpada no copo de leite supostamente envenenado.

Joan Fontaine ganhou o Oscar de melhor atriz por esse filme, e alias foi a única a ganhar em um filme de Hitchcock. Mas não acho merecido, muitos acreditam que isso aconteceu como uma forma de se redimir por outro filme dela com o Hitchcock, Rebecca.Cary Grant está com o charme de sempre. Ele soube equilibrar os momentos cômicos e dar lugar a expressões sérias nos momentos certos.
Bom, Hitchcock não vive só de suspense, então se você gosta de romance com uma pitada de paranoia vai gostar desse filme.

Veja nosso vídeo:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A GAROTA QUE SABIA DEMAIS (1963)

“A Garota que Sabia Demais” ou “Olhos Diabólicos” é um filme italiano/americano dirigido por Mario Bava. Nesse filme o diretor cria um novo gênero de filme, o Giallo. Em italiano, Giallo significa amarelo, e é uma referencia aos livros policiais e de suspense publicados sempre com uma capa amarela na Itália. O Giallo é uma mistura de filme policial com suspense. (veja mais sobre o gênero em: http://www.tudosobreseufilme.com.br/2015/06/o-que-e-o-giallo-italiano.html ) A história é de uma americana chamada Nora (Leticia Roman) que ama ler histórias de assassinatos. Ela viaja para a Itália e lá ela ficaria hospedada junto com uma amiga da família, Ethel, mas acontece que ela está muito doente, e apesar do cuidado do médico Marcello (John Saxon) a mulher morre. Isso só desencadeia acontecimentos extraordinários e Nora se vê em uma história real de assassinato e luta para descobrir a verdade. O filme tem duas versões, por isso dois nomes. “A Garota que Sabia Demais” é a ver...

Livro VS. Filme – Testemunha de Acusação

O filme de 1957 dirigido por Billy Wilder foi baseado no conto “Testemunha de Acusação”, escrito pela Dama do Crime, a escritora britânica: Agatha Christie. Acredito que o nome dispensa apresentação. Mas só pra você não ficar “boiando” gostaria de dizer que ela escrevia histórias de detetives e das boas, romance policial. Ela criou personagens como: Hercule Poirot, Miss Marple e o casal Tommy e Tuppence. Sinopse: Leonard Vole é acusado de assassinato. A vítima é uma velha rica que aparentemente se apaixonou por ele a ponto de coloca-lo no testamento. O advogado, o senhor Mayherne (no livro) ou Wilfrid (no filme) , está com dificuldades em construir a defesa porque todos os fatos parecem apontar para Leonard. Mas talvez haja esperança, a esposa o viu chegar em casa antes da hora do crime. Mas quanto vale o testemunho de uma esposa amorosa? Livro x Filme Criar um filme a partir de um livro não é tarefa fácil, geralmente o problema é que o livro tem muito mais es...

Desabafo (o que torna um filme bom)

Cena de Manhattan, de Woddy Allen Eu sempre gostei muito de filmes, desde criança. Mas com o passar do tempo eles pareciam muito iguais e repetitivos pra mim. Até que assistindo com minha vó descobri que existem filmes antigos, e me apaixonei. A partir daí fui atrás de qualquer filme que fosse em preto e branco. Me deparei logo de cara com Charlie Chaplin. Mas acabei percebendo que "nem tudo que reluz é ouro". Também existiam filmes antigos ruins. Então descobri o que era diretor, diretor de fotografia e diretor arte. Comecei a procurar por bons diretores e acabei encontrando vários, mas me apaixonei por Hitchcock. Depois de pirar com enquadramentos e técnicas cinematográficas, percebi que tudo aquilo era muito vazio sem um bom roteiro. É claro que Hitchcock sempre se preocupou com um bom roteiro, mas não me contentei com isso, sinceramente não acho os roteiros que Hitch dirige os melhores. Daí conheci Woody Allen, um cara muito bom de roteiro! Resumindo, a ca...